Durante a recente greve da polícia militar, cerca de vinte homens jovens, todos negros ou quase negros, a maioria sem camisa, vestindo bermudas longas, alguns com bonés virados, outros com colares de metal prateado no pescoço, invadiram um sebo situado no Largo do Porto da Barra, gritando
:- Queremos livros!
Surpreendidos, os proprietários pensaram, a princípio, que os jovens quisessem dinheiro ou objetos de valor material - celulares, computadores, relógios.
Mas não. Eles se dirigiram diretamente às prateleiras e exigiram, aos berros:
- Livros!
Os proprietários imediatamente ofereceram Paulo Coelho e outras obras de auto-ajuda, além de O Código da Vinci, Harry Potter, O Crepúsculo e livros nos quais belos adolescentes são magicamente felizes, sem qualquer vínculo com a realidade adulta.
Mas os invasores os recusaram. Continuaram, violentamente, desesperadamente, a retirar livros das prateleiras e a lançá-los ao chão.
Apreensivos quanto às conseqüências, os proprietários, cautelosamente, resolveram subir um pouco um nível e, como havia muitas obras de Jorge Amado, em edições baratas, encalhadas, ofereceram-nas ao bando.
Em resposta, receberam palavrões, safanões, tapas e coronhadas.
- Queremos os melhores!Só os melhores!
- Não tentem nos enganar!
Um deles apontou um revólver para um dos proprietários e bradou, ameaçadoramente:
- Onde estão?
Completamente aturdidos e, ao mesmo tempo, dotados de delicada e meticulosa cautela, os proprietários mostraram-lhes Machado de Assis, Guimarães Rosa, Drummond, Cabral, Bandeira, Graciliano Ramos.
Os olhos dos assaltantes brilharam:
- Isso mesmo!-
São esses que queremos!
E avidamente, atabalhoadamente, começaram a colocar os livros em grandes sacos de plásticos que traziam consigo.
Incrédulos, perplexos, os proprietários observaram a cena como se estivessem diante de uma intervenção do fantástico no cotidiano.
Então os jovens vociferaram, quase em uníssono:
- Os estrangeiros!
- Onde estão os estrangeiros?
Eles estavam muito bem informados; recusaram autores de segunda ordem e exigiram:
- Cervantes, Shakespeare, Dante, Dostoiévski, Fernando Pessoa, Joyce, Proust, Thomas Mann…
Os proprietários foram obrigados a oferecer-lhes seus melhores autores; temiam às conseqüências, para sua integridade física, da tentativa de enganá-los com autores menores.
Com os sacos repletos de grandes obras literárias, os jovens apontavam dedos em riste e punhos cerrados para o ar e agora gritavam:
- Filosofia!
- História!
- Antropologia!
- Política!
- Geografia!
Grandes clássicos dessas disciplinas foram-lhes, então, apresentados.
Após cerca de uma hora, os saqueadores, carregando volumes abarrotados de livros, saíram do sebo, rindo alto, comemorando o botim; alguns deram tiros para o alto.
Os proprietários comunicaram imediatamente o ocorrido aos poucos policiais que permaneciam de plantão, que, entretanto, se recusaram a registrar a queixa, por lhes parecer inverossímil.
Ameaçaram-lhes de prisão, por tentativa de ridicularizar a polícia.
O delegado riu com sarcasmo zombeteiro:-
Roubar livro, se isso existir, não constitui crime!
Contudo, não se sabe como, a informação sobre o insólito episódio circulou e foi noticiada pela imprensa.
Gerou imediatamente grave preocupação aos governantes e em toda a cúpula do establishment nacional.
O Gabinete de Segurança Institucional reuniu-se de emergência.A Agência Brasileira de Inteligência convocou, em caráter extraordinário, seus agentes.
O Alto Comando do Exército foi alertado.
Editorial de um importante jornal paulista advertiu para “as funestas conseqüências para o equilíbrio e a ordem social caso as massas iletradas, ao tomarem conhecimento de seus direitos, por intermédio de clássicos da literatura universal e das ciências humanas, subitamente passem a reivindicá-los por meios violentos.”
O governo federal e os órgãos de segurança nacional concluíram, após investigação emergencial e sumária, que “intelectuais infiltrados junto aos que não tiveram acesso à educação formal os teriam instruído sobre as obras fundamentais, tanto nacionais quanto estrangeiras, para a formação da consciência sociopolítica e à independência de julgamento.”
O presidente da República, em cadeira nacional de rádio e televisão, fez o seguinte pronunciamento: “Existe considerável risco de que o movimento violento e espontâneo dos intelectualmente excluídos, que se iniciou na Bahia, berço da nacionalidade, estado-mãe da brasilidade, se dissemine pelo território nacional, com graves conseqüências para a ordem pública. Desse modo, o governo federal, em cumprimento de suas obrigações constitucionais, adotará as medidas excepcionais necessárias à manutenção da normalidade social.”
Os serviços de segurança do governo federal e das forças armadas passaram a controlar, de forma velada, as atividades de todos os intelectuais do país. Professores universitários da área de ciências humanas foram vigiados e seguidos; suas correspondências, física e virtual, e a comunicação telefônica, monitoradas sem autorização judicial, impossível de ser obtida, em curto prazo, para milhares de pessoas. Como justificativa, o governo alegou que a situação excepcional exigia medidas excepcionais.
Decreto presidencial determinou que os compradores de livro devessem informar profissão e endereço; esses dados ficariam registrados nas livrarias. O livreiro foi legalmente responsabilizado pelo registro e arquivamento dessas informações. Em casos suspeitos – ou seja, em situações em que o livreiro suspeitasse que o livro destinava-se a pessoas que o utilizariam para fomentar a cizânia social, a desordem pública, esse deveria sustar a venda e informar ao governo os dados do pretenso comprador.
Tentou-se, assim, evitar-se, a todo custo, o contato da turba rústica com os livros.
Embora não tivesse sido oficialmente estabelecido, informalmente instalou-se, no país, uma espécie de estado de sítio, que, na prática, suprimia as garantias constitucionais.
Toda pessoa suspeita de colaborar, de algum modo, com a patuléia, teve seus movimentos controlados e, um eventual contato com os intelectualmente desprovidos, impedido.
Nas portas de cada livraria, de cada biblioteca pública, foram postados guardas armados. A polícia federal, a força de segurança nacional e o exército foram utilizados para impedir que os saques a livros se repetissem.
Os assaltantes do sebo baiano foram implacavelmente caçados pelo exército e presos; todos os livros roubados, apreendidos.
Com essas medidas, a rebelião popular foi controlada.
Para evitar que o fenômeno se repetisse, as autoridades criaram um programa para a distribuição subsidiada de instrumentos musicais, aparelhos de som e aulas de capoeira à população – o Bolsa Diversão. Shows musicais passaram a ser oferecidos gratuitamente nos bairros periféricos, três vezes por semana, sem controle do volume sonoro.
O Brasil continuou a ser o paraíso da alegria vã e leviana - para gáudio dos governantes e dos gringos que nos visitam.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
OASIS ENCANTADA
VOCÊ CONHECE ESTA EXTRAORINÁRIA OASIS NO DESERTO PERUANO?
PARECE UM MILAGRE DA NATUREZA...
GRANDES MOMENTOS MUSICAIS
QUEM NÃO GOSTA DE MÚSICA POPULAR BRASILEIRA?
É SÓ ESCOLHER UMA DAS MUITAS BELÍSSIMAS CANÇÕES DESTE REPERTÓTIO E DEIXAR A SAUDADE DOS TEMPOS DA QUALIDADE INVADIR SUA MENTE...
É SÓ ESCOLHER UMA DAS MUITAS BELÍSSIMAS CANÇÕES DESTE REPERTÓTIO E DEIXAR A SAUDADE DOS TEMPOS DA QUALIDADE INVADIR SUA MENTE...
Realmente é p'ra se guardar...
Músicas brasileiras de todos os tempos e pra todos os gostos...
1800 Colinas (1974)
A Banda (1965)
A canção tocou na hora errada (1999)
A Deusa da Minha Rua (1940)
A Deusa dos Orixás (1975)
A Flor e o Espinho (1964)
A Loba (2001)
A Miragem (2001)
A Noite Do Meu Bem (1959)
A paz do meu amor (1974)
A Praça (1967)
Adeus Cinco Letras que choram (1947)
Agonia (1980) Águas de Março (1972)
Ainda lembro (1994)
Alegria Alegria (1967)
Alguém como tu (1952)
Alma (1982)
Alma Gêmea (1995)
Alvorada no Morro (1973)
Amélia (1941)
Amor e Sexo (2003)
Andança (1968)
Anos Dourados (1986)
Ao que vai chegar (1984)
Apelo (1967)
Apesar de Você?? (1972)
Argumento (1975)
Arrastão (1965)
As Loucuras de uma Paixão (1997)
Atire a Primeira Pedra (1944)
Atrás da Porta (1972)
Ave Maria no Morro (1942)
Baila Comigo (1980)
Balada do Louco (1982)
Bandolins (1979)
Beija eu (1991)
Bem Querer (1998)
Bilhete (1980)
Brasil (1988)
Brasileirinho (1949)
Brigas (1966)
Caça e Caçador (1997)
Caçador de mim (1980)
Café da Manhã (1978)
Cama e Mesa (1984)
Caminhando (1968) Caminhemos (1947) Canta Canta minha gente (1974)
Cantiga por Luciana (1969)
Canto das Três Raças (1974)
Carolina (1967)
Castigo (1958)
Chama da Paixão (1994)
Chega de Saudade (1958)
Chove Chuva (1963)
Chuvas de Verão (1949)
Cio da Terra (1976)
Codinome Beija Flor (1985)
Coisinha do Pai (1979)
Começar de Novo (1978)
Começaria Tudo Outra Vez (1976)
Como Uma Onda (1983)
Conceição (1956)
Conselho (1986)
Conto de Areia (1974)
Copacabana (1947)
Coração de Estudante (1983)
Dança da Solidão (1972)
Dandara (2005)
De volta pro meu aconchego (1985)
Desabafo (1979) Desafinado (1958)
Desenho de Deus (2006)
Deslizes (1989)
Detalhes (1970)
Devagar... Devagarinho (1995)
Dez a Um (1997)
Dindi (1959)
Disparada (1965)
Dois (1997)
E daí (1959)
Encontro das águas (1993)
Encontros e Despedidas (1985)
Epitáfio (2001)
Espanhola (1999)
Esse seu olhar (1959)
Estão voltando as flores (1961)
Estranha Loucura (1987)
Estrela do Mar (1952)
Eu não existo sem você (1958)
Eu Sei (2004)
Eu Sei Que Vou Te Amar (1958) Eu sonhei que tu estavas tão linda (1942)
Evocação nº 2 (1958)
Evocação nº 1 (1957)
Faz parte do meu show (1988) Festa de Arromba (1964)
Foi Assim (1977)
Foi um Rio que passou em minha vida (1970)
Folhas Secas (1973)
Fonte da Saudade (1980)
Fotografia (1967)
Gabriela (1975)
Garota de Ipanema (1962)
Gente Humilde (1969)
Gostava Tanto de Você (1973)
Gota D'Água (1976)
Grito de Alerta (1979)
Hoje (1966)
Iracema (1956)
Judia de Mim (1986)
Juízo Final (1976)
Lábios de Mel (1955)
Lança Perfume (1980)
Laranja Madura (1966)
Lenha (1999)
Loucura (1979)
Madalena (1970)
Mal Acostumado (1998)
Marina (1947)
Mas que nada (1963)
Matriz ou Filial (1964)
Me dê Motivo (1983)
Mel na Boca (1985)
Menino do Rio (1980)
Mensagem (1946)
Meu Bem Meu Mal (1981)
Meu Bem Querer (1980)
Meu ébano (2005)
Meu mundo e nada mais (1976)
Minha Namorada (1962)
Modinha (1968)
Molambo (1953)
Momentos (1983)
Mulher de Trinta (1960)
Mulher Ideal (2002)
Mulheres (1998)
Namoradinha de um amigo meu (1965) Não deixe o samba morrer (1975)
Naquela Mesa (1970)
Negue (1960)
Ninguém Me Ama (1952)
Nobre Vagabundo (1996)
Noite dos Mascarados (1967)
Nos bailes da vida (1981)
Nuvens (1995)
O Barquinho (1961)
O Bêbado e a Equilibrista (1979)
O Caderno (1983)
O Canto da Cidade (1992)
O Mar Serenou (1975)
O que é o que é (1982)
O Surdo (1975)
O Último romântico (1984)
Oceano (1989)
Olho por Olho (1977)
Ontem (1988)
Os Amantes (1977)
Ouça (1957) Outra Vez (1977)
País Tropical (1969)
Paixão (1981)
Papel Machê (1984)
Paratodos (1993)
Partituras (1995)
Passarela no ar (2006)
Pedacinhos (1983)
Pedaço de Mim (1979)
Pela Luz dos Olhos Teus (1977)
Poema do Adeus (1961)
Por mais que eu tente (2005)
Pra Você (1972)
Preciso aprender a ser só (1965)
Prova de Fogo (1967)
Purpurina (1982)
Quando eu me chamar Saudade (1974)
Quarto de Hotel (1980) Quem é Você (1995)
Recado (1990)
Regra Três (1973)
Resposta ao Tempo (1998) Retalhos de cetim (1973)
Roda Viva (1967)
Ronda (1953)
Rosa de Hiroshima (1973)
Saigon (1989)
Samba de Orly (1971)
Samba de uma Nota Só (1960)
Samba do Avião (1967)
Samba do crioulo doido (1968)
Samba em prelúdio (1962)
Samba pra Vinicius (1980)
Samurai (1982)
Saudosa Maloca (1955)
SE (1992)
Se eu quiser falar com DEUS (1980)
Se não é amor (2005)
Se quer saber (2002)
Se queres saber (1977)
Se Todos Fossem Iguais a Você (1957)
Sem Fantasia (1967)
Seu Corpo (1975)
Só Louco (1976)
Só Pra Contrariar (1986)
Sol de Primavera (1994)
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